quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

dizer não aos transgênicos.


Sob promessas de aumento nutricional, melhores colheitas sem agrotóxicos, solução de fome no mundo, pedem-nos para aceitar inúmeros riscos que ainda não conhecemos. Visto que todas as tecnologias possuem riscos, sempre existirão também aqueles que ignoram a ciência e fazem essa troca.


A realidade em relação aos transgênicos, porém, nos mostram que nenhuma promessa é cumprida. Muito pelo contrário, produzem menos, usam mais agrotóxicos, geram novos problema ambientais e de saúde, contribuem para o desemprego, concentram a propriedade de terra, contaminam cultivos essenciais como o milho, aumentam a dependência econômica e são um atentado à soberania dos povos.


Entitulam-se dez centrais razões com base no caso do milho mexicano, mas que são perfeitamente aplicáveis a todo e qualquer tipo de transgênico.



  1. A Engenharia Genética Se Baseia Em Mais Suposições Do Que Conhecimento

  2. Possuem Riscos Para a Saúde

  3. Causam Sérios Impactos no Meio Ambiente

  4. Não Acabam Com a Fome no Mundo, Aumentam

  5. Custam Mais, Rendem Menos, Usam Mais Agrotóxicos

  6. São Um Ataque à Soberania

  7. Privatizam a Vida

  8. Ainda Vão Piorar com Sementes Suicidas e Cultivos Tóxicos

  9. São de Difícil Controle e Monitoramento

  10. Atacam o Coração das Culturas


1. A Engenharia Genética Se Baseia Em Mais Suposições Do Que Conhecimento

Os transgênicos são organismos que receberam material genético alheio, geralmente de outras espécies e por métodos que jamais ocorreriam naturalmente. Estudos recentes em publicações científicas postulam que os dogmas centrais da genética desde a década de 1950 poderiam estar fundamentalmente equivocados. E o problema é que com base nesses mesmos dogmas que milhares de produtos são produzidos, afetando nossos alimentos, medicamentos e biodiversidade.
Durante os processos genéticos modificados pelo homem, diversos efeitos inesperados ocorrem o tempo todo, e ainda assim afirmam que eles são seguros para consumo e utilização. A realidade é pior quando consideramos que esses seres não são inertes e podem reproduzir-se descontroladamente no ambiente.



2. Possuem Riscos Para a Saúde

É muito suspeito vender um produto com propagandas do tipo: “Não há provas de que fazem mal para a saúde”. Encontrar material a respeito é difícil, e justamente porque os geradores destes registros - a indústria de biotecnologia - não está buscando, catalogando e monitorando essas provas sob o pretexto de que elas não existem.
Poucos cientistas independentes como o Dr. Terje Traavik, da Noruega, encontram freqüentemente resultados alarmantes, como o que o fez em 2004 relacionado à alergias em trabalhadores do campo que respiraram pólem de milho transgênico.
Como uma verdadeira Caixa de Pandora, os efeitos imprevisíveis pairam sobre a população enquanto os produtores sabem dos efeitos destes organismos na saúde humana e animal quando, por exemplo, ocorrem recombinações com nossas próprias bactérias ou até mesmo com a incorporação pelos nossos órgãos, como já ocorreu com pulmões, fígado e rins de ratos e coelhos.



3. Causam Sérios Impactos no Meio Ambiente

Quase não existem estudos sobre os impactos dos cultivos no meio ambiente. Porém, isso é tristemente e claramente demonstrado com o milho mexicano que, uma vez que teve a modaliade trasngênica liberada, houve contaminação dos demais cultivos através da polinização, os quais apresentaram deformações pós crescimento. Os incetcidas também podem afetar outras espécies, como é o caso da dizimação da borboleta Monarca pelo milho Bt. Tais riscos multiplicam-se em países de grande biodiversidade como o Brasil.



4. Não Acabam Com a Fome no Mundo, Aumentam

Segundo os produtores de transgênicos, deveríamos aceitar todos os riscos, pois necessitamos de mais alimentos para a crescente população mundial. Desculpa esfarrapada, pois diariamente é produzido o equivalente a 3,500 calorias e 2kg de comida para cada habitante do planeta. Mais do que o suficiente para ter uma população mundial de obesos.
Está claro que a fome não é um problema de dependência tecnológica, mas uma injustiça social provinda da má distribuição de terras e alimentos. O transgênico aumenta esse problema por favorecer os mais ricos.



5. Custam Mais, Rendem Menos, Usam Mais Agrotóxicos

Desde que os Estados Unidos começaram a cultivas transgênicos em 1996, o uso de agrotóxicos aumentou em 23 milhões de quilos.
Os cultivos também rendem menos. O cultivo mais comum - o da soja tolerante a herbicidades (61% do volume de transgênicos no mundo) - produzem de 5 a 10% menos que a soja transgênica.
As sementes transgênicas também são mais caras que as convencionais, o que faz um pequeno aumento provisório na produção não valer a pena pelo gasto extra em sementes. Este fato é fortemente desmentido, pois os agricultores não utilizariam sementes que dessem prejuízos, porém, a maioria dos agricultores não tem escolha por não possuir estrutura para produzir suas próprias sementes, assim como existem poucas opções no mercado, além da dependência comunitária das grandes empresas produtoras de sementes.



6. São Um Ataque à Soberania

Praticamente todos os cultivos transgênicos do mundo estão em mãos de cinco empresas transnacionais. Son Monsanto, Syngenta (Novartis + AstraZeneca), Dupont Bayer (Aventis) e Dow. A Monsanto é responsável pelo controle de mais de 90% das vendas de agrotransgênicos. Estas mesmas empresas controlam a venda de sementes e são as maiores produtoras de agrotóxicos, o que explica a lógica de mercado dos transgênicos gastarem mais agrotóxicos.
Aceitar os transgênicos é atar as mãos dos agricultores, oligopolizar o ramo, e enfraquecer a soberania dos países.



7. Privatizam a Vida

Todos os produtos transgênicos são - como qualquer produto do sistema - patenteados. A maioria em mãos das mesmas empresas que os produzem, o que é um atentado ético por atribuir patentes a seres vivos e também por violar os “Direitos dos Agricultores” reconhecidos pelas Nações Unidas como o direito de todos os agricultores a guardar suas sementes para a próxima safra.
As patentes impedem isso e forçam os agricultores a comprar sementes todo ano, os que não o fazem são deliqüentes. As multinacionais têm iniciado centenas de processos jurídicos a agricultores da América do Norte por “uso indevido de patentes”.



8. Ainda Vão Piorar com Sementes Suicidas e Cultivos Tóxicos

A próxima geração de transgênicos inclue cultivos manipulados para produzir substâncias não comestíveis como plásticos, espermicidas, abortivos, vacinas, etc. Estimam-se 300 experimentos secretos (porém legais) nos Estados Unidos que envolvem transgênicos como substâncias não comestíveis, basicamente o milho.
Entitula-se como boa a produção de medicamentos e vacinas diretamente de plantas, mas o que acontecerá com os mesmos se estes forem incorporados à cadeia alimentar de algum ecossistema? Muito provavelmente estaríamos sendo gradativamente vacinados contra algum tipo de doença involuntariamente, o que é preocupante devido à alergias - comumente apresentadas para com os medicamentos - e ao aumento não monitorado da imunidade do corpo humano, o que contribui muito para a tolerância de vírus e bactérias aos medicamentos.
No México, o plantio de milho transgênico está proibido, porém, desde 2001 têm-se encontrado diversas contaminações por diversos estados de norte a sul do país. O controle destas plantações é extremamente difícil, ainda mais se as próprias instituições públicas responsáveis por tal normalmente são viciadas por politicagem e interesses nos países subdesenvolvidos.
A Secretaria da Agricultura mexicana firmou um acordo com os Estados Unidos e Canadá em 2003 que autoriza 5% de contaminação transgênica em cada carregamento de milho que entra no México.



9. Difícil Controle e Monitoramento

Cedo ou tarde, as plantações transgênicas contaminarão todas as demais e controlará o consumo, seja nos campos ou nos processos industriais. Segundo um informe de fevereiro de 2004 da União de Cientistas dos Estados Unidos, um mínimo de 50% das plantações de milho e soja deste país que não eram transgênicos já estão contaminadas. O jornal New Yok Times de 01/03/04 comenta: “Contaminar as variedades dos cultivos tradicionais é contaminar o reservatório genético das plantas que há tanto tempo têm sido responsáveis pela sobrevivência da espécia humana por grande parte de sua história. (…) O exemplo mais grave é a contaminação de milho no México. A escala que os experimentos têm tomado neste país - e os porenciais efeitos ao meio ambiente, cadeia alimentar e pureza das sementes tradicionais - demanda vigilância de igual escala.”
Para detectar os transgênicos dependemos que a própria empresa que produz as sementes forneçam informações a respeito, o que elas relutam a fazer, o que acarreta em altos custos para as vítimas das contaminações. Portanto, cada contaminação torna a próxima muito mais difícil de ser detectada.



10. Ataca o Coração das Culturas

A contaminação do milho no México, o centro de sua origem, concentra todos os problemas demonstrados até agora, além de ser um ataque violento ao coração das culturas deste país: sua vasta culinária e as mil utilizações do milho, a economia campesina, as bases da autonomia indígena. Com esta guerra biológica contra o milho tradicional, as transnacionais podem apoderar-se e privatizareste tesouro milenar e coletivo dos mesoamericanos, obrigando os agricultores a pagar pelo seu futuro.
As empresas multinacionais produtoras e distribuidoras dos transgênicos - assim como os que favorecem as importações e legalização dos mesmos - assumem uma dívida histórica que os povos do México não se permitirão esquecer. Aldo González, zapoteco de Oaxaca, resume: “..somos herdeiros de uma grande riqueza que não se mede em dinheiro e que agora querem tirar-nos: não é hora de pedir esmolas ao agressor. Cada um dos indígenas e camponeses sabe da contaminação dos transgênicos no nosso milho e decidimos com orgulho: semeamos e semearemos as semetes que nossos ancestrais nos deixaram, e cuidaremos para que nossos filhos e os filhos de seus filhos sigam cultivando. (…) Não permitiremos que matem o nosso milho, nosso milho morrerá quando o sol morrer”.



Silvia Ribeiro, investigadora do Grupo ETC.

Obtido do blog Bioseguridad.



Referências

Wayt Gibbs,W, “The Unseen Genome” en Scientific American, noviembre 2003. Ver también grain, “Blinded by the Gene”, en Seedling, Setiembre 2003, www.grain.org
Ribeiro, Silvia, “Transgénicos, salud y contaminación” en La Jornada, México, 20-03-2004
New Health Dangers of Genetically Modified Food Discovered, Boletín de prensa del Institute for Responsible Technology, citando los estudios de Terje Traavik, del Norwegian Institute for Gene Ecology, Malasia, 24-02-2004
Moore Lappé. F, Collins J y Rosset Peter, World Hunger: 12 Myths, Food First Books, Estados Unidos, Oct. 1998.
Benbrook, Charles, Tiempos problemáticos en medio del éxito comercial de la soja Roundup Ready, Northwest Science and Environmental Policy Center, AgBioTech InfoNet, Technical Paper # 4, Estados Unidos, 2001. http://www.biodiversidadla.org/article/view/997
Grupo etc, etc Communiqué # 82: Oligopolio sa, Nov/Dic 2003, http://www.etcgroup.org/article.asp?newsid=441
Contaminación del maíz en México: mucho más grave. Boletín de prensa colectivo de comunidades indígenas y campesinas de Oaxaca, Puebla, Chihuahua, Veracruz, ceccam, cenami, Grupo etc, casifop, unosjo, ajagi, Oct 2003
Heinemann, Jack A. gm Corn in New Zealand: a case study in detecting purposeful and accidental contamination of food. Ponencia en el seminario científico para delegados al Protocolo Internacional de Cratagena sobre Bioseguridad de la Red del Tercer Mundo y el Institute de Gene Ecology, Malasia, 22-02-2004


* roubado sem autorização de um blog de conteúdo pela boa causa do compartilhamento de informações!

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