quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

patriotismo e revolta.

Em um papo que nem me lembro exatamente sobre o quê, chegamos ao ponto: “Você não é patriota?”. E a minha indignação quanto à resposta: “Eu deveria ser? Por quê?”. “Hmm, bem, porque, porque sim, você mora no Brasil e deveria valorizar as coisas daqui e....e....”. Okey, não fui convincente. Admito. Na verdade nem bons argumentos eu tinha. Acabei ficando mais do lado do meu colega do que do que estava querendo defender. Afinal, ele me instigou com sua pergunta e me fez refletir: por que mesmo eu tinha que ser patriota? Porque me ensinaram? Isso é pouco para se levar isso adiante sob maiores reflexões, muito pouco...

O Brasil possui muitas riquezas e belezas naturais sim, tem um povo alegre que é bonito de ver e que, mesmo entre trancos e barrancos se valem sempre do chavão “sou brasileiro e não desisto nunca”. Admirar já não é bom? Não é o suficiente? Preciso mesmo ser ufanista? “Deus é brasileiro!”. É preciso tanto? Que audácia! Quanta vaidade e soberba... Exagero estúpido que muitas vezes nos impede de apoiar o desenvolvimento nacional em outras áreas, pois já é um “país bonito por natureza”.

Perdoem-me a falta de fonte, agora que gostaria de encontrar, não consigo achar nem lembrar onde, mas vi relatos de uma pesquisa (dissertação será? Não me lembro bem...) de uma mulher, curitibana, que fez um estudo entre Brasil e Portugal. Sim, os colonizadores! Uma das questões era como os brasileiros eram vistos pelos portugueses. Nada que nos surpreenda muito ou que nunca tenhamos ouvido falar, os homens brasileiros são vistos como malandros (não, não no bom, mas no mau sentido, espertinhos!), que não cumprem com a palavra (sim, isso mesmo, não são confiáveis, não têm esse valor), dentre outros; e a mulher brasileira é vista como “fácil”. Sabe em que sentido né? Aposto que sim. Eu, mulher, fiquei ofendida, claro, mas entendo perfeitamente que eles devem ter suas razões para acharem isso, infelizmente...

Essa é a “boa” imagem que estamos, brasileiros, deixando pelo mundo afora. É, não dá para esconder por muito tempo...uma hora eles iriam perceber...

É preciso reconhecer estes defeitos culturais e de caráter, e outros “probleminhas” brasileiros, dos quais não devemos ter tanto orgulho e tampouco nos remetem a patriotismo algum. Coisa pequena como milhões de desempregados, extrema pobreza e miséria, fome, doenças, berrante desigualdade social, vergonhosa corrupção em nossa política e entre nossos governantes e por aí vai. Por isso é preciso também ser realista.
Além do mais, o patriotismo exacerbado é um dos motivos que está nos levando o mundo todo às ruínas, às guerras...

No entanto, o lado patriota que ainda existe (e muito!) em mim ficou ofendido com a falta do mesmo pelo meu colega, que se dizia simplesmente respeitar e valorizar o Brasil e que, “claro”, torce pelo Brasil em jogos mundiais, especialmente a Copa. Claro que sim, até outros países torcem pelo Brasil na Copa do Mundo... (e lá se vai mais uma de minhas expressões patriotas, que tanto tentei camuflar neste texto...)
Sim, sim, amo o Brasil...mas...é preciso tanto?

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